INÍCIO

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Silva (SP) - Claridão [2012]

(Foto: REPRODUÇÃO/INTERNET)
Não seria estranho dizer que Claridão é absurdo e digo isso para os dois lados do significado da palavra. Se por um lado é um disco bonito, muito bem arranjado e desenhado, por outro escancara uma personalidade simplista em palavras e grandiosa em melodias, conversando com o ouvinte através de acordes e sussurrando palavras como complemento musical, fazendo da sua obra forte e grande demais para o rosto inocente e o semblante tranquilo de Lúcio Souza, o jovem por trás do SILVA.
Analisando pelo lado ouvinte, o detalhismo instrumental e a voz harmoniosa do projeto chamam atenção. O registro é homogêneo e novo, tratando a música brasileira no mesmo nível da internacional, chegando num balanço sonoro raro apresentado no país. As batidas e letras são legitimamente nacionais, indo de encontro ao acabamento gringo, programações e orquestrações improváveis de serem usadas daquela forma, tornando o registro único no país atualmente.
Apesar de ser longo, o CD traz grandes surpresas. A faixa tema, por exemplo, revela uma faceta dançante da ‘palavra de Deus’ disfarçada de pop indie – artimanha já bem utilizada pela amigaMarcela Vale, a Mahmundi. Parece tratar de uma fuga dos olhos de Deus, mas que no final é impossível continuar não estando ao Seu lado. Outra interessante é “Posso”, que lembra ligeiramente a canção “Quando Jesus Estendeu a Sua Mão” – na qual SILVA, apesar de não estar creditado diretamente, cantou no disco Doxologia (2007), quando era tecladista da banda de seu irmão, a Lucas Souza Banda.
(Foto: REPRODUÇÃO/INTERNET)
“Ventania” é a mais bem amarrada junção musical dentro do álbum, misturando uma série de estilos, fazendo a tônica do álbum e seu indecifrável estilo. Não há um nome a ser sugerido para o gênero sonoro criado por SILVA. “Falando Sério” e “Mais Cedo”, outras duas amostras inéditas do trabalho, ganham abertura pelo risco vocal e ousadia melódica, respectivamente, com destaque para a camada sonora lisérgica inserida no final da última citada. As letras são o grande ponto baixo do disco, com pouco direcionamento e profundidade, salvo “2012 e sua mensagem apocalíptica-ensolarada.
As faixas presentes no EP de estreia do músico ganharam novos instrumentos em cima da base já pré-gravada, deixando a produção de Lucas de Paiva (o People I Know) de lado e com o próprioLúcio assumindo a direção das canções – como fez com todas as inéditas e anunciou em entrevistas. Infelizmente, estas modificações nas músicas não surgem com o efeito esperado e fazem faixas como “Imergir” (já abafada em shows pela falta de guitarra no palco) e “Cansei” perderem um pouco de seu brilho original. “A Visita” aparece escondida no fim do álbum e “Acidental”, junto com a nova “Moletom”, se tornam desnecessárias no álbum, merecendo inclusive o corte do produto final.


"A VISITA"
O resultado da bolacha é o SILVA. Um cara muito distante daquele Lúcio Souza que iniciou seus trabalhos musicais para a internet, agora com uma abertura musical e ousadia ainda maior, aliando de maneira proveitosa a experiencia adquirida com o irmão e o caminho eletro-brasil dado por Mahmundi Lucas de Paiva no início da carreira solo. Espero que a música “2012 não seja real e possamos desfrutar de SILVA por muito mais tempo.

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