INÍCIO

quarta-feira, 31 de julho de 2013

MILTON NASCIMENTO-MG - Clube da esquina 2 (1978)

(FOTO: Reprodução/Internet)
Há quarenta anos era lançado no Brasil um disco histórico, que virou referência para muitos músicos e apreciadores: O Clube da esquina, de Milton Nascimento, com participação de de Lô Borges. seis anos depois, Milton cometeu uma pequena ousadia, que era lançar outro disco com o mesmo nome, como uma continuação de uma obra intocável e definitiva. Clube da esquina 2, Também duplo, também representa muito bem a magia de uma música que brotava da alma, trazendo verdadeiras pérolas do repertório de Milton, que igualmente ao primeiro volume, deixaria verdadeiros clássicos para a nossa música.
"Maria, Maria" é um exemplo:

Na ocasião, a jornalista Ana Maria Bahiana fazia uma matéria falando do lançamento, e o próprio Milton comentava algumas das músicas do álbum:

"Há seis anos, Milton Nascimento lançava um projeto ambicioso: Seu primeiro álbum duplo, 'Clube da Esquina'. A época não era das melhores, em todos os sentidos. Na música popular, uma grande retração de público prolongava o hiato de começo de década. Por três anos, um time considerável de estrelas, Caetano, Gil, Chico - estivera fora de ação, e seu contato com as plateias - novas? mais jovens? marcadas por quais experiências? com quais expectativas? - era retomado com cautelas, pequenos passos. Tudo se movia numa espécie de quase silêncio, um acordar demorado depois de um sono doloroso. E Milton Nascimento era pouco mais que uma figura cultuada por pequenos grupos, um nome sussurrado à boca pequena. Vinha de um show forte, mas ainda obscuro, no Teatro Opinião do Rio, onde cantava pela primeirta vez em pé, de peito nu, e acompanhado por um grupo desconhecido: o Som Imaginário (Wagner Tiso, Luis Alves, Robertinho, Tavito, Zé Rodrix, Naná). Sua vida e sua carreira não eram das mais fáceis: poucas vendas, pouco reconhecimento, pouco dinheiro, problemas pessoais. Mas ele cantava: 'Eu já estou com o pé nessa estrada/ e caminho em qualquer direção/sei que nada será como antes/amanhã'. Na capa, dois meninos - um branco, um preto - atestavam sua fé no futuro, a esperança."
(FOTO: Reprodução/Internet)
Num boxe na matéria, Milton comentava sobre algumas das músicas que faziam parte do Clube 2:

Credo (Milton Nascimento/Fernando Brant): "Quis começar o disco com ela porque é de um otimismo incrível, essa letra do Brant. Aí, como tem esse negócio de 'tenha fé no nosso povo', eu quis pôr um coro de gente cantando, mas não um coral, gente mesmo cantando, o povo. E foi 'San Vicente' que a gente escolheu pro povo cantar, porque essa foi a primeira música minha que eu ouvi uma plateia inteira cantar. E até hoje é a que mais cantam - fora Travessia, é claro - em todos os shows, como um hino".

Nascente (Flávio Venturini/Murilo Antunes): "Desde que ouvi essa música no Lp do Beto Guedes, fiquei indócil para gravar. É linda. Importante, nesta faixa, é a presença da voz do autor, do Flavinho, cantando pela primeira vez, junto comigo."
Olho D'Água (Paulo Jobim/Ronaldo Bastos): "Essa é a 'Valsa', que o Tom gravou naquele disco, 'Urubu', com letra do Ronaldo. É uma coisa muito séria, essa música. Esses nomes todos que estão na letra têm os personagens da 'Suíte dos Pescadores', do Caymmi (Pedro, Chico), tem a mulher e o filho do Paulinho (Lena, Pipo), tem meu pai, minha mãe, meu filho (Zino, Lília, Pablo)."
O Que Foi Feito de Vera (Milton/Fernando Brant/Márcio Borges): "Essa música foi incrível. Eu fiz a música primeiro e mandei pro Fernando e pro Márcio, sem dizer pra cada um que tinha mandado pro outro. Primeiro chegou a letra do Fernando, que foi a que o Gonzaguinha gravou - por isso fiz questão da voz dele. Eu li, fiquei doido - uma era exatamente a continuação da outra, quase como se fosse uma letra só. Mostrei pra ele, ele ficou maluco também. Aí, eu gravei as duas. A participação da Elis é muito importante nessa faixa. Foi ela quem primeiro gravou 'Vera Cruz', que é a base dessa música - e Vera Cruz foi o primeiro nome que o Brasil teve, uma coisa muito forte. Além disso, tem toda a lembrança da Elis gravando pela primeira vez uma música minha, a Canção do Sal."

Canção Amiga (Milton Nascimento/Carlos Drummond de Andrade): "Essa é o começo de minha parceria com o Drummond. Foi um amigo comum de nós dois que fez a ligação, parece que ele estava querendo há tempos fazer letra de música comigo...Ih, não diga isso desse jeito que vai ficar esquisito, mas foi assim mesmo que aconteceu. Ele me mandou um livro, com as indicações de quais poemas ele gostaria que eu musicasse e eu escolhi esse, que tem um verso, que pra mim, é a definição de toda a minha proposta de trabalho.: 'Eu preparo uma canção/que faça acordar os homens/e adormecer as crianças'. Aí eu combinei com ele de mandar uma música, numa fita, pra ele botar a letra. Ele ficou maluco, disse que não fazia de jeito nenhum, que não sabia fazer. Mas eu vou mandar, mesmo. Ele pode ficar esperando."

Testamento (Milton/Nelson Angelo): "O Nelson me apareceu com essa música pra eu pôr letra, e queria que se chamasse A Tribo. Por uma dessas coincidências loucas, eu estava escrevendo umas coisas sobre a morte de um amigo meu, uma pessoa incrível que convivia com os índios - inclusive foi através da família dele que eu pude conhecer o pessoal de lá, os índios. O funeral dele foi como está na letra: numa reserva de índios; jogaram parte das cinzas no mato, parte na água do rio - aí os índios ficaram remando em volta, até formar um círculo e as cinzas desaparecerem na corrente, aí eles choraram - e parte foi enterrada no centro da aldeia, junto com documentos pessoais dele e esta letra também. Daqui há vinte anos, segundo os rituais deles, vai ser desenterrado."

Leo (Milton/Chico Buarque); "O Chico e eu temos um longo trabalho pra fazer. Isso está combinado há tempos, e primeiro ia ser uma peça de teatro, junto com o Guarnieri, depois parece que essa peça foi esquecida ou não deu, não sei. De qualquer maneira, vamos trabalhar muito, juntos. Essa música é parte desse trabalho. Eu acho que a gente só compõe quando está impressionado por alguma coisa, e, nesse caso, era a história de uma afilhado meu, o Léo, que é uma história muito comprida, que eu conto depois. Uma história incrível. Quis fazer essa música de presente pra ele: coloquei no arranjo coisas que lembram a época em que ele foi batizado, e quis fazer a música com o Chico porque ele é um fã do Chico."

Fonte CLIQUE AQUI

BAIXE O CD CLICANDO NA CAPA

Saiba mais na FanPage no Facebook e no site Museu Clube da Esquina

Nenhum comentário:

Postar um comentário