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sábado, 10 de maio de 2014

Nina Wirtti-RS - Joana de Tal (2012)

(Foto:Reprodução/Internet)
Gaúcha radicada no Rio de Janeiro (RJ), Nina Wirtti debuta de forma graciosa e promissora no mercado fonográfico com Joana de tal..., disco de 2012 que dialoga com frescor com as tradições da música brasileira da era pré-Bossa Nova. Sob a produção de Guto Wirtti, a intérprete pesca pérolas do baú sem obviedade. Pautado por sons que evocam a era dos conjuntos regionais dos anos 30 e 40, Joana de tal... está repleto de achados no repertório. Samba buliçoso do (pouco explorado) repertório da cantora paulista Isaura Garcia (1919 - 1993), Hoje é pra mim (Gadé e Valfrido Silva, 1946) é um deles. Com precisão, sem carregar nas tintas, Wirtti dá voz aos versos incisivos do tema usualmente creditado a Gadé e a Cristóvão de Alencar. A cantora também deita e rola no jogo de palavras armado por Noel Rosa (1910 - 1933) nos versos do fox Você só...mente (1933), parceria do Poeta da Vila com seu irmão caçula Hélio Rosa. A leveza do canto de Wirtti contrasta com o peso da tragédia contada em Notícia de jornal (Luiz Reis e Haroldo Barbosa), samba de 1961 mais conhecido pela gravação feita por Chico Buarque em 1975. Dos versos de Notícia de jornal, a artista extraiu o título Joana de tal... para batizar este disco que, aliás, prioriza o samba, gênero de Aquele despertar (Guilherme de Brito e Juarez Brito, 1988), faixa de menor poder de sedução. Com sua suavidade, Wirtti pisa até no terreiro em Samba rezadeiro (Gabriela Buarque e Roberto Didio) e em Sangue de rei, inédita de Pedro Amorim com Paulo César Pinheiro. Se Acaso (Luis Flávio Alcofra e Marcos Sacramento) tem toque de música francesa, evocada pelo acordeom de Bebê Kramer, o samba-canção Saber mentir (Antonio Bruno, 1962) ganha tom seresteiro e choroso, sublinhado pelo bandolim de Luís Barcelos.


Aquele quê (Wilson Moreira, 1935) remete ao universo do choro. O repertório de Joana de tal... é tão surpreendente que a regravação de Curare (Bororó, 1940) soa até trivial. Detalhe: Curare teve como intérprete original Orlando Silva (1915 - 1978), cantor que também lançou em disco a interiorana Zé Ponte (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins,1947), tema que no fim do disco liga Nina Wirtti às suas origens gaúchas no toque do violão sublime do conterrâneo Yamandu Costa. É um fecho inusitado para um disco coeso e curto - suas onze faixas nem totalizam meia hora - que prima por surpreender o ouvinte e sinalizar futuro promissor para Nina Wirtti.

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